Televisão
PROGRAMAS
POPULARES
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Um
ponto de vista interessante e que está muito em evidência
ultimamente é a questão dos programas populares.
Tem-se visto e lido com muita frequência as mais variadas
críticas e discussões sobre os programas do
Ratinho, do Sergio Mallando, do João Kléber,
do Gugu, do Faustão, etc. Aliás, a programação
dominical é um prato cheio para quem gosta de criticar
os meios de comunicação de massa, mais especificamente
a televisão. Vamos nos ater a um ponto de cada vez.
O programa do Ratinho, exibido pelo SBT, talvez seja o grande
motivo semeador da discussão que envolve a suposta
programação banal - o trash - da TV brasileira
atual. Casais se degladiando pelos motivos mais fúteis,
expondo suas vidas particulares e sua privacidade como se
isso não tivesse a menor importância, revelando
seus problemas, suas frustrações e invariavelmente
se derramando em lágrimas ou se esbofeteando em cenas
dantescas dignas das mais engraçadas e mais infantis
comédias do gênero "pastelão"
que jamais havíamos visto ou assistido, certo? Os crimes
mais brutais mostrados com uma naturalidade ímpar:
cadáveres expostos como se a vida humana pouco tivesse
sentido.... Pessoas com as mais variadas doenças: um
menino que tem pelos no corpo todo, um mulher que teve 98%
do corpo queimado pelo marido ciumento, uma moça que,
pendurada pelo cinto de segurança, foi arrastada por
uma caminhonete por vários metros e teve a face esfacelada,
etc. Tudo isso é tão atroz e temos tanto medo
de ver isso na TV. Pergunta: isso é alguma coisa diferente
do que vivemos e estamos sujeitos no nosso dia-a-dia? Porque
temos tanto medo de encarar que vivemos numa sociedade absolutamente
subdesenvolvida, que está cercada pelos mais vastos
tipos de problemas e desigualdades sociais? Porque temos receio
em saber que vivemos num país que tem cerca de 30 milhões
de brasileiros passando fome diariamente, que tem uma cidade
como São Paulo onde um estupro acontece a cada 4 minutos,
ou que temos uma metrópole como o Rio de Janeiro, outrora
capital de país, onde um ser humano é assassinado
a cada 3 minutos? Porque esconder esses problemas? Porque
varrê-los para debaixo do tapete, longe do alcance dos
nossos olhos? Estamos muito acostumados a dizer: "Isso
nunca vai acontecer comigo" ou "Essas coisas são
problemas do governo, não meus", etc. Um famoso
presidente americano falou certa vez: "Não pergunte
o que seu país pode fazer por você, mas o que
você pode fazer pelo seu país". Porque não
arregaçamos as mangas e fazemos alguma coisa para mudar
essa situação? Ou porque então, pelo
menos, paremos de reclamar e criticar e aceitemos que a vida
é assim, e se não podemos ou não queremos
ajudar, pelo menos não atrapalhemos?
Outro
aspecto é o sexo na TV. Porque é tão
recriminado? Ou porque é menos recriminado que o crime,
o cadáver ou o deficiente físico apresentado
no programa acima citado? Diz-se que o sexo é banalizado
na TV, mas ele também é banalizado por nós,
ou pela imensa maioria de nós, dia a dia. Que as cenas
que reproduzem o ato sexual, pelo menos nas novelas deveriam
ter uma outra conotação, é algo perfeitamente
discutível e até plausível de ser modificado.
Que os operadores das câmeras e os diretores de certos
programas deveriam mostrar menos as bundas das mulheres, ou
então pelo menos em ângulos não tão
ginecológicos, até concordamos. Mas nós
fazemos a mesma pergunta que foi feita acima: porque esconder
o sexo? Ele não é banalizado em todos os outros
setores da sociedade, então porque escondê-lo
só da televisão? O sexo faz parte dos nossos
pensamentos, da nossa roda de amigos, das revistas que compramos,
dos anúncios publicitários que nos fazem desviar
o olhar, das piadas, dos e-mails que distribuímos,
etc. Quantos e-mails você já mandou para seus
amigos com piadas ou fotos de mulheres nuas anexados? E quantos
e-mails você já transmitiu adiante com mensagens
religiosas ou com pensamentos e parábolas úteis
para nosso crescimento como seres humanos? A diferença
é gritante!
Apenas
mais um ponto que vale destacar nos tais programas de baixaria,
como o Ratinho, é que além de exibir o que a
maioria do povo gosta e quer ver, é que essas pessoas
(Ratinho, João Kléber, Sérgio Mallando,
etc.) personificam nossos anseios e preenchem lacunas em nós
que as vezes nem sabíamos que existiam. Elas fazem
na televisão tudo aquilo que nós, consciente
ou inconscientemente, sempre tivemos vontade mas nunca oportunidade
de fazer. Quantos de nós nunca sonhamos com 15 minutos
de fama?
Se,
para atender o anseio de algumas pessoas, e tentar agradar
o máximo de telespectadores, esses programas fossem
transmitidos em horários mais "próprios"
para tal, então que seja feito isso. Não que
seja a atitude mais correta, mas se for a única solução,
que seja. Agora censurar esses programas e proibir algumas
exibições é algo inconcebível
e inimaginável. O direito de falar e expressar o que
quiser, é além de um direito constitucional,
um direito do ser humano e um princípio áureo.
O tempo da ditadura já passou. Censura, por favor,
nunca mais!
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