Televisão
OS
NEGROS NA TV
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Preparando
o material para essa análise, nossa equipe teve acesso
a várias bibliografias, muitas nem citadas aqui porque
não foram realmente aproveitadas, por se tratarem de
outros assuntos que não o foco do nosso seminário.
Um deles foi de um professor da USP sobre o papel dos negros
nas novelas brasileiras. Concordamos que o preconceito contra
a raça negra ainda é um dos mais cruéis
de nossa sociedade. Aliás, qualquer preconceito é
uma forma de burrice sem igual. Enfim, que os negros são
discriminados, das mais atrozes e possíveis formas,
isso é fato. Mas daí a atribuí-lo a TV
é de uma infelicidade extrema. Segundo o livro, os
negros só ganham destaque em novelas de época,
que falam dos fatos acontecidos na época abolicionista,
como "Escrava Isaura". Fora essas situações,
os negros são renegados e papéis secundários
ou de mera figuração, como empregadas domésticas,
motoristas, mordomos, porteiros, operários, etc. Isso,
infelizmente acontece, não há como negar. O
que nós contestamos apenas é que, mais do que
qualquer outra coisa, o racismo é uma praga que está
disseminada entre nós. A TV é racista, assim
como nós. Como já foi amplamente exposto, a
"caixinha mágica" retrata e espalha o que
somos, o que fazemos e o que queremos assistir. Se nas novelas
não aparecem negros ocupando cargos destacados, como
chefes de departamentos, gerentes ou diretores de grandes
corporações é porque na vida real isso
pouco acontece. Se existem poucos negros advogados, engenheiros
ou médicos, é porque em nosso meio eles também
existem em quantidade reduzida. Façamos uma autocrítica:
Quantas "pessoas de cor" comemoram o natal em nossas
casas? Ou na casa de quantos negros não vamos a alguma
ocasião festiva? Tudo bem, aí podemos dizer
que "isso pouco acontece pois nessas ocasiões
costumamos passar com nossos familiares mais próximos.
E como somos descendentes de alemães e italianos temos
poucos ou nenhum parente negro, pois é raro termos
negros alemães ou italianos." OK, é um
ponto de vista. Mas então façamos um paralelo
mais diminuto: quantos negros almoçam pelo menos uma
vez por semana em nossa mesa? Com quantos negros dividimos
a roda de bate papo na cantina da faculdade? Novamente vem
a contrapartida: "Muitos de nós almoçam
na empresa, e nossos empregadores poucos negros trabalham
comigo. E na faculdade também não há
pessoas de cor." Outro questionamento então seria:
quantos negros participam do nosso futebol dos fins de semana
ou com quantos deles nós jogamos canastra em nossos
programas de fim de semana? Diferentemente da família
ou do emprego, esse é o nosso lazer, coisa que teoricamente
deveríamos ter liberdade de escolha. Acontece que sempre
colocamos a culpa em alguém: nos nossos antepassados,
no nosso empregador, no reitor da faculdade, na televisão,
mas nunca em nós mesmos. O racismo é antes de
mais nada um problema nosso. Quando tirarmos a máscara
da hipocrisia e mudarmos nossos hábitos, trazendo essas
pessoas "diferentes" como os negros, os pardos,
os asiáticos, etc. para o nosso convívio e passarmos
a dar a eles o mesmo tratamento que damos aos nossos "semelhantes
brancos", estaremos dando um enorme passo para o fim
do racismo e da desigualdade, e por conseguinte, passaremos
a ver mais negros advogados, médicos ou donos de empresa
em nossas telenovelas.
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