Televisão
CONCLUSÃO
DA
NOSSA ANÁLISE
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A televisão é e será
aquilo que fizermos dela. Nem ela, nem qualquer outro meio,
estão predestinados a ser qualquer coisa fixa. Ao decidir
o que vamos ver ou fazer na televisão, ao eleger as
experiências que vão merecer a nossa atenção
e o nosso esforço de interpretação, ao
discutir, apoiar ou rejeitar determinadas políticas
de comunicação, estamos na verdade, contribuindo
para a construção de um conceito e uma prática
de televisão. O que esse meio é ou deixa de
ser não é, portanto, uma questão indiferente
às nossas atitudes com relação a ele.
Nesse sentido, muitos discursos sobre a televisão às
vezes parecem um tanto estacionários ou conformistas,
pois negligenciam o potencial transformador que está
implícito nas posturas que nós assumimos com
relação a ela.
A
televisão foi concebida sobre vários princípios,
com várias idéias, mas sobre um áureo
pilar: o entretenimento. O passar dos anos e a agregação
tecnológica nela incutida foi transformando-a num profundo
influenciador social, capaz de instigar, insuflar e delinear
a tomada de decisões e a forma de pensar e agir de
quem a assiste. Já atribuíram a ela até
a eleição e queda de um presidente da república.
A
televisão realmente tem poder de influência,
disso não há como fugir. Acontece que a televisão
é apenas um espelho de nós mesmos. Tudo o que
ela exibe é, no fundo, aquilo que nós queremos
ver. E esse "nós" independe de classe ou
formação social. Ao discutirmos o papel da TV
em nosso meio, acabamos por desvirtuamo-nos do foco e sempre
caímos nas armadilhas da banalização,
da vulgaridade, da obscenidade, do lixo cultural, etc. Não
enxergamos nós que tudo o que passa na tela mágica
está lá porque dá audiência, porque
é o que o "povão" gosta. Se nossa
situação social, se o país em que vivemos
fosse mais igual, certamente seria isso que veríamos
na televisão.
Para
melhorar a qualidade do que assistimos, não mais mascaremos
nossos erros: não botemos a culpa no governo, pois
nós é que erramos na hora de votar; não
culpemos a sociedade, pois nós somos a sociedade; não
olhemos a pobreza, pois nós não arregaçamos
as mangas e pouco ajudamos essas pessoas; não botemos
a culpa no racismo, pois poucos ou nenhum negro faz parte
do nosso convívio social; não tratemos certos
assuntos com desdém e como se fossem banais, pois se
eles assim o são, foi por culpa nossa, que tornamo-los
assim, empurrando-os para debaixo do tapete. Quando pararmos
de macular nossos erros e mascarar nossas atitudes, estaremos
dando um grande passo não só para ter uma televisão
melhor, mas para termos uma vida em sociedade digna e mais
humana.
Amém.
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