Televisão
A
TV E OS SOCIALMENTE
"MENOS FAVORECIDOS"
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No meio de tudo isso aparece então uma outra problemática:
como ficam então os pobres e aqueles com menos poder
de discernimento do certo e do errado? Nós, que fomos
educados e que temos acesso ao mais variado tipo de informação
podemos diferenciar e decidir o que é bom ou não,
o que nos será útil ou não, o que queremos
assistir na TV ou não. Mas e aqueles menos afortunados,
que tem uma condição de vida muito inferior
a nossa, e para quem a televisão mais do que qualquer
coisa é a única forma de lazer existente? Como
devem reagir essas pessoas ao ver determinados programas?
Que interpretação devem elas dar ao serem bombardeadas
com cenas de violência, preconceito, desigualdade social,
etc.? Essa sem dúvida é uma questão complicada,
e que merece uma discussão mais ampla e de proporções
mais dilatadas.
A nossa opinião porém, como universitários
e aqui como quem alguém que está defendendo
mais do que criticando a televisão não poderia
ser diferente do que foi acima explanado: antes de discutir
a programação da televisão e sua influência
nas classes sociais menos afortunadas, devemos discutir o
que levou essas pessoas a estarem assim. Porque elas estão
na miséria? Porque não tem oportunidades no
mercado de trabalho? Porque vivem em situação
de miséria e penúria? Por desigualdades sociais
diversas, por má distribuição de renda,
por falta de estrutura social e política, pelo estado
de subdesenvolvimento que o país se encontra, por falta
de sensibilidade e solidariedade nossa, etc. Seria querer
demais atribuir mais essa situação a televisão
ou seria ainda pior sugerir que ela tivesse um cuidado na
sua programação para com essas pessoas, pois
elas são mais facilmente influenciáveis pelo
que vêem e ouvem.
Sugestão:
porque não criamos o canal do pobre, só com
imagens utópicas e situações lindas de
crianças cantando e vivendo em harmonia? Porque não
mostramos um país sem desigualdades, onde todos vivam
em condições semelhantes e sem problemas? Porque
não exibimos um mundo da cor do arco-íris, onde
todos sejam irmãos, acordem sorrindo e vivam em prosperidade
e gozo? Mais que um problema da TV a pobreza, a miséria,
a má distribuição de renda, a fome, a
crise da saúde, etc., são problemas sociais
muitos maiores do que imaginamos. Suas causas, seus efeitos
e suas possíveis soluções passam por
discussões muito mais amplas e complexas, e exigem
mudanças drásticas no nosso comportamento e
no de nossos governantes.
A televisão deve sim ocupar um papel informativo, denunciativo
e esclarecedor, que às vezes ela peca por não
fazer. Mas não podemos imputar a ela uma responsabilidade
exclusivamente nossa.
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