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Elton:
Hoje o quadro Brainstorm do Programa Tá na Mídia
recebe PAULO PORCHER, da RGB Digital Studio Photography.
Esse trabalho que vocês fazem tem um valor enorme. É
incomparável o retorno que um bom trabalho fotográfico
gera e, muitas vezes, nós olhamos para uma foto e não
apreciamos, não analisamos nem imaginamos o trabalho
que se tem para chegar ao resultado final. Isso acontece muito
Paulo, as pessoas não dão a devida importância
ao trabalho de vocês?
Paulo: Olha Elton, para se conquistar um espaço
hoje é uma batalha. Então você tem que
cada vez mais trabalhar e só o tempo vai dizer se terá
seu trabalho reconhecido, mas realmente não é
fácil.
Elton: A RGB surgiu para viabilizar um conceito novo
no país com o surgimento da foto digital, em 1996.
Como foi essa caminhada até aqui?
Paulo: Em 1996 a tecnologia digital estava apenas começando
no Brasil. Nós precisávamos fazer um trabalho
para um cliente americano mas não foi possível
pois não tínhamos o equipamento adequado aqui.
Então, um dos nossos sócios que falava alemão
acabou conversando com um dos donos de uma empresa americana,
que também falava alemão. Nós tocamos
no assunto e nosso sócio falou da vontade que tínhamos
de entrar no mercado da fotografia digital. Eles acreditaram
no nosso projeto, firmamos uma parceria e eles financiaram
o equipamento para começarmos o trabalho. Foi um risco
muito grande, mas resolvemos aceitá-lo.
Elton: Você trabalhava com fotografia antes de
1996?
Paulo:
Eu trabalho com foto desde 1975. O Marcos Sander, esse
meu sócio que falava alemão, trabalhava com
fotografia, mas como amador. Um dia nós conversávamos
e eu disse a ele que queria montar um estúdio e o convidei
para trabalhar comigo. Ele que é um profissional que
tem uma força de vontade muito grande acabou aceitando.
Nós montamos o negócio e estamos aí até
hoje.
Elton: E a foto publicitária? O que fez vocês
optarem por esse segmento?
Paulo: Eu já trabalhava na área de publicidade
e quando comecei a trabalhar com foto em 1975 uma coisa acabou
levando a outra. E quando nós íamos participar
das feiras de fotografias, começamos a ver que o pessoal
lá de fora usava muito a fotografia digital, onde eles
não tinham mais o trabalho de pegar o cromo e mandar
escanear para terem o arquivo digital. Foi algo que nos interessou
pois era um processo onde entregávamos o material direto
para o cliente. Foi aí que começamos.
Elton: Dá para afirmar que vocês foram
os pioneiros a trabalhar com a fotografia digital aqui no
estado?
Paulo: Sim, seguramente dá. A RGB foi a primeira
a trabalhar com essa tecnologia em Santa Catarina. Hoje o
"digital" já está presente e muito
forte em grandes mercados como São Paulo e Rio de Janeiro
por exemplo. Aqui em Santa Catarina ela também é
forte, e nós conseguimos inclusive fechar uma parceria
com a Kodak que nos coloca um equipamento de última
tecnologia a disposição.
Elton: Nesse trabalho de foto publicitária
vocês atendem só agências de Santa Catarina
ou também fazem alguma coisa pra agências de
fora do estado?
Paulo:
Nós trabalhamos muito para São Paulo. Nossos
clientes lá não são exatamente agências,
mas profissionais ligados à publicidade e propaganda.
Mas nossos clientes principais estão em Santa Catarina.
O nosso estúdio está localizado em Blumenau,
desde 1996.
Elton: Cite para nós alguns exemplos de trabalhos
que vocês realizam na área de publicidade. Que
tipo de fotografia vocês fazem?
Paulo:
Basicamente produtos. São cristais, relógios,
peças metálicas, área têxtil, muita
coisa relacionada à moda, enfim, tudo o que você
possa imaginar como produto nós fotografamos. Perfumes,
vinhos, ambientes, alumínio e tudo o mais desde panela
e parafuso até a chamada fotografia "explodida",
que é uma especialidade nossa, de motores e equipamentos
industriais.
Elton: O detalhe principal para se trabalhar com uma
fotografia publicitária é a luz?
Paulo:
A iluminação é fundamental, assim como
a ótica. É importante saber onde se vai aplicar
esse ou aquele tipo de material, que lente se vai usar, etc.
Além disso, hoje em dia também é importante
o software que você tem na mão. Muitas vezes
acontece de você pegar uma peça que vem com um
problema e você tem que retocar no computador e deixar
ela perfeita. Então um bom software de edição
de imagens é vital para um estúdio fotográfico.
Elton: E as pessoas, vocês fazem muitas fotos
de pessoas?
Paulo: Sim, principalmente fotos de moda. É
algo interessante mas que dá muito trabalho. Fotografar
tecido é muito complicado e nós apanhamos bastante
até aprendermos. Conforme o tipo de luz o tecido se
mostra numa cor. Quando você vai imprimir a foto, aparece
uma outra cor. A gente foi muito a fundo pra descobrir o que
acontecia e mudamos coisas como o alvejante ótico que
alterava os tons, pesquisamos vários tipos de iluminação
enfim, foi uma batalha para se conseguir passar a fidelidade
do produto.
Elton: Hoje não existe mais laboratório
de foto digital?
Paulo:
Não. Os trabalhos são todos finalizados digitalmente
via software. Uma grande vantagem disso é que antes
nós tínhamos que usar muitos produtos químicos
e esses químicos são muito caros, além
de poluentes. Na Europa inteira, e eu cito o exemplo da Alemanha,
onde a foto digital está dominando o mercado, até
por causa dessa questão dos produtos químicos
pois depois de usá-los eles não podem simplesmente
jogá-los no esgoto. Lá se paga uma fortuna para
se recolher esses resíduos e então esse processo
se tornou inviável.
Elton: Até onde vai a criação
da agência e onde começa a criação
de um estúdio fotográfico?
Paulo: Tudo parte do briefing da empresa. Acontece
que nem sempre dele constam as informações que
você vai precisar, então, às vezes a gente
acaba até fazendo melhor do que o cliente imaginava,
noutras vezes não. O importante é que exista
sempre um sincronismo entre agência e estúdio
e até agora ele sempre existiu.
Elton: Quantas pessoas estão trabalhando com
você hoje?
Paulo:
Hoje são três. Nós contratamos os
outros profissionais dependendo da situação.
Se nós tivermos que fazer um prato, eu contrato um
gourmet. Ele vai lá, produz o prato e eu fotografo.
Se tiver que fazer uma decoração num ambiente
eu procuro uma decoradora. Porque nossa especialidade é
foto e não decoração.
Elton:
São esses e outros aspectos que às vezes as
pessoas desconhecem e acabam não dando o devido valor
ao trabalho de vocês. Sempre é importante ter
junto com vocês um profissional da área que vocês
estão fotografando.
Paulo: E tem que ter mesmo Elton, pois se o fotógrafo
quiser fazer isso sozinho o processo não vai funcionar.
E se um outro profissional for apreciar aquele trabalho vai
perceber que está faltando alguma coisa.
Elton: E isso já aconteceu com vocês?
Paulo: Já aconteceu sim até em função
da verba, mas depois você acaba vendo que o resultado
final não compensa essa "economia". Então,
para cada segmento, você tem que procurar o profissional
adequado para lhe auxiliar.
Elton: Existem outras tecnologias surgindo? O que há
de ponta hoje no mercado?
Paulo: Quando nós começamos, nós
trabalhávamos muito com natureza morta. Aquele equipamento
que tínhamos só fazia natureza morta. Na época
existiam apenas as digitais menores, mas que não tinham
memória para fazer sequer um shot, um movimento. Hoje
já temos a Kodak, a Nikkon, a Cânon que partiram
para esse segmento de movimento, porém são equipamentos
caríssimos. Nós temos uma parceria com a Kodak
que nos fornece o equipamento. Se não fosse por isso,
nós não teríamos acesso, pela questão
do preço.
Elton: Paulo, muito obrigado pela sua presença
aqui no Tá na Mídia e sucesso com a RGB.
28/09/2002
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