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| Roberto
da Luz Costa é Presidente da Propague, agência
catarinense com 39 anos de mercado. Experiência
e competência comprovadas nos inúmeros cases
de sucesso e prêmios conquistados. |

Elton: Paixão pelas grandes idéias. Roberto
Costa, Presidente da PROPAGUE. Que paixão é
essa Roberto?
Roberto: Bom, em primeiro lugar a gente tem que fazer
tudo com paixão, porque só se faz direito quando
se faz com paixão, com energia, com entusiasmo. E na
agência esse nosso slogan retrata a importância
que damos para a idéia, para a boa idéia, para
a idéia diferenciada. Então a agência
vive em busca constante pela idéia memorável,
uma idéia inovadora. É a perseguição
à idéia que faça a diferença na
televisão, na revista, no material gráfico,
no outdoor ou no rádio. Porque você precisa ter
uma boa idéia para que o seu produto ou o seu serviço
seja diferenciado nessa grande "guerra" que é
a comunicação de massa.
Elton:
Apesar de toda essa gana, essa vontade, essa briga por espaço
no mercado; a Propague já está com 39 anos.
É a agência mais antiga de Santa Catarina?
Roberto: A Propague é a mais antiga do estado
sim. Ela foi criada em 1963 e nós já vamos portanto
para 40 anos de atividades no ano que vem. É evidente
que ela começou com outras pessoas e não comigo.
Na verdade foram dois radialistas da época, Antunes
Severo e Rosendo Lima que trabalhavam na Rádio Diário
da Manhã que sentiram a necessidade de fazer um trabalho
de propaganda mais profissional no mercado e criaram a Propague.
Primeiramente ela era especializada em rádio, e posteriormente
passou a atuar em outras áreas. O que foi muito interessante
é que eles sempre tiveram uma postura muito técnica,
muito profissional e a agência logo se revelou uma empresa
diferenciada no mercado, preocupada com o produto criativo.
E essa herança nós carregamos até os
dias atuais.
Elton:
E o que é que se fazia de propaganda há 39 anos
atrás que não se faz hoje, ou, o que está
se fazendo a mais do que naquela época?
Roberto: Naquela época nós não
tínhamos, por exemplo, o jornal off-set. A televisão
também não existia aqui em Santa Catarina e
o rádio era o grande veículo. Mas já
existiam coisas na área promocional, organização
de feiras e eventos e também se faziam os clichês
para os anúncios de jornal que não eram impressos
em off-set. Foi uma época romântica da propaganda
e nós temos ainda alguns registros muito interessantes
daquele tempo.
Elton: E o teu tempo na Propague, já são
quantos anos?
Roberto: Olha, na Propague eu já estou há
30 anos. Eu entrei em 1972 na área de criação,
como redator. Fiquei mais ou menos um ano como redator e depois
passei para o "outro lado".
Elton:
Você veio "subindo a escadinha". Como é
essa tarefa Roberto, já que tem tanta gente trabalhando
há tanto tempo numa agência, tentando galgar
outros espaços, conhecer novas áreas. Isso acontece
naturalmente ou é você que tem que procurar seu
espaço até chegar à presidência?
Roberto: Eu acredito que vai muito do estilo da pessoa.
Eu contei com a sorte também pois entrei na Propague
como redator e na época foi até interessante
porque eu não fui contratado pelo dono da agência.
Fui contratado pelo Diretor de Criação, pois
o dono estava de férias. Quando ele voltou de férias
me demitiu. É que o Diretor de Criação
havia contratado mais umas três ou quatro pessoas.
Elton:
O que ele não gostou em você Roberto?
Roberto: É que tinha gente demais na agência,
só por isso. Só que quando eu ia indo embora
ele disse: "Escuta, quem sabe você fica aqui numa
outra área e talvez já estude uma outra coisa..."
Enfim, o dono teve um "insight" comigo de que talvez
eu pudesse contribuir e acabei ficando mais um tempo na agência.
Depois eu mudei de área, indo para o atendimento. Eu
era meio hippie, andava de mochila e tal, e quando passei
para o atendimento o visual continuou o mesmo. Os clientes
até que reagiram bem. Em seguida eu tive o desafio
de ir à Blumenau instalar a agência lá,
pois nós tínhamos um cliente forte nesta cidade
que se chamava Casas Paiter. Aceitei ir para Blumenau mas
propus, de uma forma ousada, que gostaria de ser sócio
da Propague nesta cidade. Afinal, era um trabalho de grande
responsabilidade que ficaria a meu encargo. O dono da agência
acabou aceitando isso e então, formamos uma sociedade
com três sócios: ele, eu e o próprio cliente,
que apostou na idéia. Depois de algum tempo, o cliente
saiu e ficamos apenas em dois sócios. Três anos
depois, quando eu vim para Florianópolis, a minha metade
de Blumenau já valia 10% na agência. Então,
essa evolução ou não de um profissional
dentro da agência, varia muito de acordo com o estilo
de cada um. Eu sempre fui muito arrojado, sempre acreditei
muito no meu potencial e procurei participar logo do "risco".
Elton:
Mudando um pouco de assunto, o que fez a Propague buscar uma
parceria com a J.W.Thompson?
Roberto: É uma parceria recente, feita em abril
desse ano. Com o mundo globalizado, hoje nós temos
clientes que estão aqui no mercado brasileiro, bem
como atuam também no exterior, como por exemplo a Bunge,
a Tractebell e a Porto Belo. Estas empresas estão presentes
no mercado brasileiro mas também promovem ações
fora do Brasil. É muito importante para a agência,
acompanhar esses clientes onde eles estiverem. A Thompson
é uma agência internacional, que hoje faz parte
do maior grupo de comunicação do mundo, a WPP,
que possui quatro grandes redes de agências. Uma delas
é a Thompson. Aqui no Brasil ela é a segunda
no ranking de faturamento. O atual presidente da Thompson,
Álvaro Novaes, promoveu uma revolução
dentro da agência, tirando-a do 14º para o 2º
lugar no ranking. E não é só o faturamento
que cresceu. O produto criativo também melhorou bastante.
Nossa intenção com essa parceria é, evidentemente,
ter acesso aos recursos de informação que ela
dispõe, além de ter o respaldo no mercado nacional
onde nós ainda não estamos e no mercado internacional
onde também não atuamos. Quem sabe até
desenvolver algumas parcerias de prospecção.
Elton:
Vamos falar um pouco dos clientes. Um deles é a Hering.
Comente um pouco sobre o último trabalho que vocês
fizeram pra eles:
Roberto: A Hering é um dos nossos clientes esporádicos.
Eles não estão na carteira mas sempre acabamos
desenvolvendo alguns trabalhos. Recentemente, tiveram alguns
problemas em duas lojas Hering Store localizadas aqui em Santa
Catarina. Então propusemos uma campanha mais no cinema
do que na televisão. A campanha de inverno é
engraçada, bem humorada, com um minuto de duração
e fala sobre a mesmice e o inverno branco. O comercial está
bem interessante porque lida com humor e sempre que se lida
com humor ele torna-se mais memorável.
Elton:
Tem um outro cliente de vocês que é a Bunge,
onde vocês fizeram um trabalho recente com a Débora
Bloch, um comercial sobre o Óleo Soya. Comente um pouco
sobre isso:
Roberto:
O nosso trabalho com a Bunge é na linha de óleos.
Inclusive nós participamos da discussão estratégica
a respeito de suas marcas. Antes, a Bunge possuia sete marcas
de óleo que agora estão reduzidas a três.
Eles precisavam, do ponto de vista estratégico do marketing,
de uma "depurada" no seu portfólio de óleo.
Sobraram três marcas. Uma é a Primor, uma marca
mais regional que estava só no Rio Grande do Sul e
agora atua em todo o Brasil, considerada uma marca de combate.
Temos também a Soya, que é a grande líder
de mercado, e uma de óleo "premium" que é
a Salada. Para esse último, fizemos um trabalho de
lançamento com a Débora Bloch e com o chef Olivier
Anquier, que é um gourmet famoso que tem um programa
de gastronomia. Esse comercial foi muito bem sucedido, resultando
num bom posicionamento de mercado da linha premium, Salada.
Teremos outro trabalho esse ano que é de reforço
desse posicionamento, além de também voltarmos
na mídia com o Soya.
Elton:
Um outro trabalho que vocês fizeram e que foi premiado
foi o do Festival de Teatro aqui de Florianópolis.
Fale um pouco sobre esse e outros prêmios:
Roberto: Nós temos participado até de
mais premiações internacionais do que nacionais.
Tivemos recentemente dois prêmios no Festival Internacional
de Turismo do Rio de Janeiro. Um dos trabalhos premiados foi
justamente para o comercial que fizemos para o Festival de
Teatro no final do ano passado. Neste, utilizamos bastante
humor, gerando uma repercussão muito boa. Até
então, a comunicação do Festival não
conseguia posicionar o evento em sua real importância.
O comercial desenvolvido superou todas as expectativas, promovendo
o real destaque que merecia. Cabe aqui um comentário
em relação ao cliente que é a Prefeitura
de Florianópolis. Uma estatal, que tem à sua
frente a atual prefeita, que dá a liberdade para se
fazer um trabalho mais ousado, mais criativo e que tem gerado
ótimos resultados.
Elton:
Eu gostaria de saber agora Roberto o teu ponto de vista em
relação a como você vê a propaganda
hoje em Santa Catarina:
Roberto: Eu acho que nós estamos evoluindo
bastante. Haviam no passado grandes contas que estavam sob
o domínio de São Paulo. Hoje, algumas dessas
contas estão em Santa Catarina. Empresas que vem de
fora e se instalam em Santa Catarina, já se utilizam
dos serviços de nossas agências. Nós na
Propague, temos alguns casos como a Porto Belo e a Bunge que
vieram de São Paulo, a Tracetbell que nasceu aqui mas
tem uma dimensão nacional e não foi buscar auxílio
fora, por conhecer os resultados do nosso trabalho. Temos
também outras agências gerenciando contas nacionais
e enfim, vivemos um bom momento e muito disso se deve à
qualidade dos profissionais que temos aqui. Em Florianópolis,
temos ainda outra vantagem pois parece que a cidade atrai
muitos criativos. Na Propague por exemplo, temos uma "fauna"
de cariocas, paulistas e paranaenses. Isso faz com que tenhamos
um bom produto. Nesse ano, apesar de muita gente achar que
estamos em crise, temos a expectativa de crescer 25% e ao
que tudo indica, vamos conseguir.
Se
você quiser saber mais sobre a Propague acesse o o site:
www.propague.com.br
17/08/2002
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