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1939,
no início da Segunda Grande Guerra, o paulista
radicado catarinense Carlos Jofre do Amaral desenvolve
em Lages/SC um sistema de autofalantes instalados em postes
para informar a população sobre o que acontecia
não só no dia-a-dia da comunidade, mas também
no mundo inteiro.
Esse foi o embrião para a criação
da Rádio Clube, pioneira do sistema de radiodifusão
no Planalto Serrano. Já na década de setenta
o engenheiro Roberto Amaral, filho de Carlos Jofre do
Amaral, levando adiante o ideal do pai cria quatro emissoras
de rádio e o SCC TV. E é sobre isso que
vamos conversar hoje com o Sr. Roberto Amaral. |

Elton: Como foi a história desse sistema de
autofalantes?
Sr. Roberto: Toda mudança nas comunicações
é precedida em geral de um acontecimento histórico.
Tivemos a Guerra do Golfo e recentemente a Guerra do Afeganistão.
E a cada momento desses é necessário que as
pessoas fiquem sabendo o que está acontecendo. A 2ª
Guerra Mundial foi o maior acontecimento do século
passado e as pessoas precisavam saber notícias da guerra:
o que os aliados estavam fazendo, a quantas andavam os conflitos
e por aí adiante. Esse sistema de autofalantes também
foi instalado no Rio Grande do Sul, na cidade de Passo Fundo
por Maurício Sirotzsky e que acabou sendo o embrião
da RBSTV. Em Santa Catarina o Sr. Jofre do Amaral,
meu pai, fez esse serviço que comunicava às
pessoas o que estava acontecendo em Lages e no mundo. Era
interessante que quando tocava na praça a musiquinha
que precedia uma notícia ou um comunicado importante
as pessoas vinham para ouvir. Além disso, haviam também
os periódicos, que iam ao ar algumas vezes por dia
e eram pequenos blocos só com notícias; haviam
espaços onde as pessoas dedicavam músicas, o
que possibilitava que elas namorassem e se comunicassem através
dos autofalantes. Era comum vir uma pessoa e dedicar uma música
à pessoa amada ou à um amigo.
Meu pai também levava esse equipamento, os amplificadores
e autofalantes para as festas, especialmente as festas de
igreja. Ele levava isso para cidades de Caçador, Curitibanos,
Videira, Campos Novos e naquela região acabava se tornando
a grande atração das festas. Foi justamente
ali que ele conheceu a minha mãe. Ele, um paulista
que tinha vindo para Santa Catarina acabou conhecendo minha
mãe numa dessas festas onde ele era o "homem do
microfone" e acabaram se casando e se radicando nesse
estado.
Elton:
E então surgiu essa aptidão, esse contato todo
com a comunicação. Foi daí que surgiram
os outros empreendimentos?
Sr.
Roberto: Em 1947 nós criamos a Rádio Clube
de Lages. Depois vieram a Rádio FM, a Rádio
do Coral, que mais tarde meu pai acabou vendendo, depois o
Jornal Planalto, a internet e a própria TV. Tudo o
que é novo nós fazemos tanto na região
como no estado de Santa Catarina. A REDETV Sul cobre
hoje 92% do estado de Santa Catarina. Só não
atingimos a região de Chapecó e do extremo-oeste
catarinense. São 930.000 domicílios que
podem apertar o botão e ver a nossa programação.
Elton:
Essa força toda, esse carinho, essa rapidez com que
se deu esta evolução até a chegada da
REDETV Sul, um canal estranho, dito até como
pequeno, que vinha para substituir um canal falido - a TV
Manchete - não surpreendeu vocês?
Sr. Roberto: Em Santa Catarina, pelas suas peculiaridades,
não adianta você ser forte em Florianópolis.
É importante você ser forte na capital do estado,
mas não é prioridade. Então o que acontece:
a REDETV, acabou por usar uma estrutura que era do
SBT, ou melhor, que era nossa mas que retransmitia a programação
do SBT. De repente nós só substituímos
a programação e passamos a ser comprovadamente
o terceiro lugar em Joinville, o segundo lugar - pela pesquisa
encomendada pelas agências de publicidade da cidade
- em Criciúma, e o segundo lugar de audiência
também em Lages. O posicionamento das televisões
é variado dentro do estado. Normalmente a Rede Globo
é a primeira em todo o estado. O segundo e o terceiro
lugar depende basicamente das características técnicas,
dos equipamentos e dos transmissores e também da anterioridade.
Normalmente um canal bom, como o canal 10 e o 12, são
aqueles que estavam antes no negócio e isso influencia
muito. Você pode ver por exemplo que em Joinville a
TV Record é sintonizada no canal 44 em UHF, então
é muito difícil que as pessoas consigam vê-la.
Outra questão é como chega o sinal na casa do
telespectador. Hoje nós temos rotas de micro-ondas
em todo o estado, então a qualidade do sinal em todos
os pontos é muito boa.
Elton:
Nós tivemos agora aqui no estado a Festa do Pinhão
em Lages. Que show de cobertura, com várias transmissões
ao vivo inclusive. A REDETV Sul também está
fazendo agora a cobertura do Festival de Dança em
Joinville. Isto está sendo compensador, uma vez
que coberturas assim envolvem um grande número de profissionais?
É um nicho de mercado que estava abandonado pela televisão?
Sr. Roberto: Primeiramente, só o fato do Tá
na Mídia ser o único programa do nosso meio
no estado e talvez no sul do Brasil, que mostra e que fala
das coisas de publicidade, para nós já justifica
plenamente a cobertura.
Elton:
O retorno da audiência também é compensador?
Sr.
Roberto: É compensador porque é diferenciado.
A Festa do Pinhão por exemplo não é um
acontecimento da cidade de Lages, mas sim, um acontecimento
do estado de Santa Catarina. Temos agora dois eventos onde
iremos trabalhar com dedicação total: o Festival
de Dança, que já estamos transmitindo, e depois
os Jogos Abertos de Santa Catarina(*),
que esse ano será em Lages. Na transmissão dos
Jogos Abertos, nós pretendemos dar um show de cobertura,
mesmo sabendo que é um pouco mais difícil porque
os eventos, as modalidades esportivas acontecem em vários
locais diferentes e por isso precisamos de uma estrutura grande.
Mas nós vamos fazer um bom trabalho, transmitindo de
4 a 5 jogos por dia. Vamos ter também alguns debates
e pretendemos fazer com que os Jogos Abertos voltem a ser
aquela festa da juventude sadia, da juventude saúde.
Elton: Projetos, futuro, expansão da REDETV
Sul. Temos aí uma idéia de quando iremos
para o Paraná e o Rio Grande do Sul?
Sr. Roberto: Nós estamos com alguns projetos
que já deveriam ter acontecido, mas ocorre o seguinte:
nós temos que entender que Santa Catarina é
um estado aberto a todos. Podemos comprovar isso vendo o caso
do nosso concorrente, a RBSTV, que foi recebida no nosso estado
de braços abertos. A TV Record, que hoje pertence a
pessoas de outros estados, mas de qualquer forma são
empreendedores e empresários que são muito bem-vindos
e que engrandecem nosso mercado publicitário. Porém
nem todos pensam assim, o Paraná não pensa assim.
Nós estamos tendo dificuldades imensas desde a locação,
a prefeitura, até a Anatel. Eles não aceitam
quem vem de fora. Eu não tinha visto com a clareza
que vejo hoje porque a RBS nunca entrou no Paraná.
Existe uma barreira e agora descobri que não é
só com eles. O Paraná cria obstáculos
para todas as iniciativas de outros estados. As TV's do Paraná
são só de paranaenses. Mas nós vamos
chegar lá. Nós vamos continuar lutando pelo
Paraná e numa segunda fase pelo Rio Grande do Sul.
Elton:
Eu quero lhe parabenizar pelo trabalho da REDETV Sul
em todo o estado, pela repercussão, porque é
assim que a gente acaba sabendo mais. Se existe repercussão
é porque está acontecendo um bom trabalho e
as pessoas se manifestam de uma forma positiva. E também
quero agradecer a oportunidade que REDETV está
proporcionando ao Tá na Mídia de expandir,
de mostrar assuntos voltados à publicidade, ao marketing,
às mídias. Existe muita coisa pra ser mostrada
e graças a este espaço, podemos apresentá-las.
Sr. Roberto: Eu é quem quero cumprimentar a
Equipe do Tá na Mídia, por ser um programa
que mostra o nosso mercado, o nosso meio, e por ser uma iniciativa
inédita. A publicidade é um assunto que as pessoas
gostam de ver e opinar. Eu já conhecia o seu programa
desde o tempo em que ele só passava na tv fechada (antes
o programa era exibido apenas na TV Galega, um canal de TV
a cabo da cidade de Blumenau/SC) e sei da dedicação
de vocês. Quero parabenizá-los pela qualidade
e competência com que vocês tratam os assuntos
da publicidade no nosso estado.
(*)
Os JASC, ou Jogos Abertos de Santa Catarina, é uma
competição esportiva anual, que acontece há
mais de quarenta anos, e que envolve todo o estado. São
disputadas inúmeras modalidades e a competição
ocorre entre municípios. Na edição de
2001 o município de Joinville foi o campeão.
27/07/2002
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