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Entrevista
com José Nazareno (Zeno) Vieira, Diretor-Presidente
do Instituto MAPA - Pesquisa e Telemarketing de
Florianópolis.
O
Instituto MAPA ofereçe serviços especializados
de pesquisa de opinião e de mercado há 10
anos. Recentemente, lançou uma pesquisa inédita
no mercado Catarinense: o PPC, ou Painel Publicitário
Catarinense. O PPC teve como objetivo conhecer as principais
características da atividade publicitária
em Santa Catarina e também levantar indicativos
do tamanho do mercado de comunicação e marketing
e da participação dos meios de comunicação
no bolo de veiculação publicitária.
Caso você queira conhecer o resultado desta excelente
pesquisa, visite o site do Instituto
Mapa |

Elton: Tem gente que não acredita em pesquisa,
diz que nunca foi entrevistado e que os resultados são
forjados. Enfim Zeno, pra que serve uma pesquisa?
Zeno:
Podemos dizer que a pesquisa é um processo que começa
com uma coleta de dados que leva a um conjunto de informações
que vai gerar conhecimento e que permite diminuir riscos e
gerar certezas. Podemos falar um pouco desse plano político,
uma vez que estamos em época de eleições:
Infelizmente quando se dá o resultado das pesquisas
só se coloca o índice, a intenção
de voto. Mas por trás disso, por trás daquele
índice a pesquisa fornece o perfil do público
que vai votar naquele candidato, em que segmento ele está
mais forte ou mais fraco e isso são informações
importantes para o comitê de campanha e toda a equipe
de marketing dos candidatos.
Elton:
Os partidos políticos realmente trabalham muito em
cima da "bendita" pesquisa. Sem ela eles ficam perdidos,
sem caminho, sem certeza para tomar uma decisão, não
é?
Zeno: A pesquisa representa o momento e a opinião
do público-alvo em relação aquilo que
se está propondo. Qual a imagem do candidato e o seu
nível de conhecimento perante o eleitor. Existe uma
teoria que compara o início de uma campanha eleitoral
a um funil onde todos os candidatos entram juntos e colocam
ali seu conjunto de atributos que vão fazendo com que
ao longo da campanha só um passe por esse funil e seja
o vencedor. Um candidato que já tenha um nome, por
exemplo, sai na frente. O outro que não tem tanto nome
ainda tem que vencer essa etapa de conhecimento pelo eleitor.
Isso pode trazer fatores positivos ou negativos. Pode trazer
uma empatia ou até uma rejeição que precisa
ser medida, através de pesquisa, para se determinar
a forma de comunicação e de atuação
pelo comitê de campanha.
Elton:
A gente sabe que a política é um segmento que
utiliza muito a pesquisa. Mas também sabemos que as
empresas em contrapartida se utilizam pouco dessa ferramenta.
O que a pesquisa pode oferecer para o empresário?
Zeno:
Ela gera com certeza economia. Um exemplo é o ramo
imobiliário. Normalmente quem trabalha nisso - e eu
falo numa média geral - são pessoas que já
estão nesse ramo há algum tempo e às
vezes dizem: "Eu conheço o mercado". Só
que esse mercado é muito dinâmico e tem muitas
variáveis. Vamos colocar uma delas como exemplo: o
tempo de venda. Se quem trabalha com imobiliária colocar
na sua venda alguns conjuntos de facilitadores que uma pesquisa
lhe apontou que vai de encontro ao que o consumidor quer ele
pode diminuir esse tempo de venda que normalmente é
de cinco anos para talvez algo em torno de três anos.
E isso é economia. Essa análise se restringiu
a um aspecto apenas. Um outro aspecto é a concepção
do projeto. Um exemplo que eu posso citar e que aconteceu
há sete anos atrás é o de um empreendedor
que tinha um investimento nesse mesmo ramo imobiliário.
Esse empreendedor fez todos os levantamentos estatísticos,
arquitetônicos, cálculos estruturais enfim, todos
os investimentos normais do seu trabalho. E todo o conceito
da venda era focado na entrada desse residencial que era feita
pelo mar. Era uma entrada toda cheia de verde, defronte para
a praia. Ao fazermos a pesquisa, percebemos que os clientes
classe A que poderiam comprar aquele imóvel tinham
como fator decisivo na hora da compra o fator segurança.
E a segurança não contava em nenhum folder,
em nenhuma peça da campanha publicitária. Ao
saber do resultado da pesquisa, ele mudou toda a sua campanha.
Ou seja, você percebe o quanto ele poderia ter perdido
ou o quanto ele economizou ao reformular seu material publicitário
por causa do resultado da pesquisa?
Elton:
Vamos voltar um pouco à pesquisa política. Até
que ponto ela influencia na hora do voto?
Zeno: Essa pergunta é constante no nosso dia-a-dia.
Ela tem influência sim, mas não é fundamental.
Vamos nos ater a um exemplo recente, o das últimas
eleições municipais de Criciúma (SC).
No começo da campanha, o candidato Eduardo Pinho Moreira
(PMDB) largou com 60% das intenções de voto
contra 5% do candidato Décio Góes (PT). Um mês
antes as pesquisas ainda davam como vencedor o candidato do
PMDB. Quem ganhou as eleições? O candidato Décio
Góes (PT). O resultado da pesquisa não faz um
vencedor. Ela tem influência sim mais não tem
poder de decisão. O que acontece quando um candidato
que está atrás vai crescendo nas intenções
de voto? Na maioria das vezes os militantes, as pessoas do
seu comitê de campanha vão esmaecendo. Outro
fator: quem está na frente na pesquisa tem mais possibilidade
de angariar fundos para financiar-lhe até o momento
das eleições. Ora, pois assim como na vida,
na política você geralmente vai apostar em quem
está na frente. Você vai investir seu dinheiro
em quem está ganhando, não em quem está
perdendo. Com isso eu quero dizer que pesquisa influencia
na hora do voto, mas dizer que ela determina um vencedor é
algo discutível e que não se pode afirmar de
jeito nenhum.
Elton:
O MAPA recentemente criou o PPC, o Painel da Publicidade Catarinense.
Fale pra nós sobre isso:
Zeno:
O PPC foi o grande desafio do MAPA. A nossa intenção
foi de medir o tamanho do bolo publicitário, de verificar
como a publicidade está em relação ao
seu tripé: Veículos, Agências e Anunciantes.
Com esse trabalho nós levantamos questões como:
Quanto gira de dinheiro, quantas e quais são as agências,
como são e quem são os veículos, quais
são os anunciantes, quantas pessoas estão envolvidas
nesse mercado e por aí vai. No Brasil, temos informação
que só RJ e SP tem um trabalho semelhante a esse, e
já o fazem há 20 anos. Santa Catarina não
tinha nada parecido com o PPC. Com esse trabalho nós
cumprimos o desafio de mostrar o mercado da publicidade em
Santa Catarina. Nas nossas pesquisas os três ramos (agências,
veículos e anunciantes) foram trabalhados em igualdade
e nas mesmas proporções. E para obtermos as
conclusões e verificarmos a consistência dos
dados nós cruzamos o que cada um deles dizia. Agora
imagine você a importância que isso vai trazer
não só para esse tripé como também
para as universidades. As universidades de comunicação
social, publicidade e marketing que estão formando
os profissionais para atuar nesses mercados tinham pouca ou
nenhuma informação. Elas não dispunham
de muitos dados atuais sobre essas áreas de atuação
e o PPC vai ajudar e muito nesse sentido.
Elton:
Pra finalizar Zeno, fale um pouco pra gente o porque de algumas
frases, o porque de algumas atitudes dos publicitários.
Cite um caso em que um slogan ou alguma situação
foi criado tendo por base uma pesquisa:
Zeno: Podemos citar o exemplo da Skol, que criou o
"desce redondo" depois de vários trabalhos
de pesquisa. A Ambev solicitou algumas pesquisas para saber
os hábitos do consumidor de cerveja e o quanto ela
está presente no seu dia-a-dia. As respostas apontavam
algumas coisas como o gosto delas, por exemplo, que era praticamente
igual para a maioria dos consumidores. Mas essas mesmas respostas
diziam que quem tomava cerveja relacionava Skol com leveza.
Depois de muita conversa essa leveza acabou levando ao "desce
redondo". Mas não bastava dizer que a Skol descia
redondo. Era preciso dizer que as outras eram pesadas, ou
que desciam quadrado. Então fizeram várias peças
publicitárias e a campanha teve um retorno maior que
o esperado, tudo fruto de um trabalho de pesquisa.
Elton:
José Nazareno Vieira, ou simplesmente Zeno, a equipe
do Tá na Mídia só tem a lhe agradecer
pela presença e pelo bate-papo excelente que tivemos.
Sucesso a todos vocês do MAPA.
Zeno: Nós do MAPA é que agradecemos pela
oportunidade.
06/07/2002
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