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Princípios
gerais da criatividade
No campo da criatividade não há regras fixas, a não ser o
conhecimento profundo do produto, de seus concorrentes, do
mercado e do consumidor. Dessa constatação nascem os princípios
gerais que a seguir serão analisados.
Segmentar corretamente:
No campo
da propaganda pode-se chegar a todo mundo caso se disponha
do orçamento adequado; caso contrário é mais prudente ir por
partes. Se o orçamento de uma campanha é limitado, melhor
será persuadir um segmento do público que a compre, do que
diluir o orçamento em toda a população.
Às vezes se pretende
chegar a todo o público alvo mesmo que para isso seja preciso
reduzir a força da mensagem a limites inoperantes. Assim,
vêem-se spots, ou anúncios, que nunca convencerão ninguém,
embora repetidos diariamente.
Prender a atenção:
Com exceção
das crianças, as pessoas atentam pouco para a propaganda.
Por isso é tão importante que o anúncio prenda a atenção desde
o primeiro momento.
Em televisão, por
exemplo, está demonstrado que um spot consegue atrair a atenção
do espectador durante os primeiros cinco segundos, ou nem
isto. E o mesmo acontece com os outros meios de divulgação.
Se a manchete ou a ilustração de um anúncio nos jornais ou
revistas não consegue captar imediatamente a atenção, o leitor
virará a página sem ter lido. É evidente que a força de comunicação
de uma ilustração está em sua capacidade de prender a atenção
de imediato.
Buscar o destaque:
As pessoas
estão sobrecarregadas e intoxicadas pela propaganda. Basta
ver a televisão, ouvir o rádio, folhear o jornal ou as revistas,
andar pela rua, ir a um cinema, entrar num supermercado, ou
abrir as caixas de correio para comprová-lo. Isso significa
que é imprescindível buscar o destaque, não só com relação
aos produtos competidores, mas também com relação às demais
companhas publicitárias. E é mais rentável destacar-se fazendo
alguma coisa diferente, do que simplesmente investindo mais.
Portanto, é necessário inovar, evidentemente de forma relevante
e pertinente para o produto.
Pensar no simples:
A propaganda
não dispõe, geralmente, nem de muito tempo, nem de muito espaço:
os anúncios de televisão medem-se em segundos e os da imprensa
em centímetros. Por isso a campanha mais efetiva é a que segue
a regra de quanto mais simples, melhor.
Manter
o bom gosto:
Em propaganda
nunca se deve perder o bom gosto. É preciso pensar que o consumidor
muitas vezes é um amigo ou parente, a quem não gostaríamos
de desagradar ou ofender. Não importa qual seja o público
alvo que recebe a mensagem, visto que o bom gosto é patrimônio
de todos.
Persuadir com paciência:
A propaganda
é antes de tudo persuasão. A campanha deve convencer o consumidor
das vantagens físicas ou emocionais do produto. Pode-se mudar
a atitude das pessoas, mas nem sempre com sermões de vinte
segundos. A persuasão exige tempo, geralmente maior do que
aquele empregado para ler 30 ou 40 palavras.
Eliminar freios:
As pessoas têm
medo de se enganarem quando tomam suas decisões sobre compras,
sobretudo quando se trata de produtos de preço elevado. Portanto,
a campanha deve ajudar a eliminar este ou qualquer outro possível
freio, para que a motivação de comprar seja mais forte do
que o medo de enganar-se.
Ser memorável:
As pessoas
confundem muitas idéias parecidas, e depois não se lembram
bem de nenhuma. A pesquisa prova que, em setores de forte
investimento as pessoas recordam algumas marcas e slogans,
mas confundem-nos às vezes entre si. Isso significa que muitas
vezes se está fazendo propaganda em benefício de um competidor,
ou no melhor dos casos, do setor em vez do produto.
É preciso criar
anúncios memoráveis, que possam ser recordados até bastante
tempo depois, é que a relação marca-slogan seja inseparável.
Construir
a imagem de marca:
A imagem
de marca é como a personalidade do produto, e por isso, se
o produto fosse uma pessoa, caberia a pergunta: que tipo de
pessoa deveria ser? Cada campanha ajudará a construir essa
personalidade.
Muitos produtos
são escolhidos exclusivamente em função da marca, já que é
materialmente impossível distinguir suas qualidades intrínsecas.
Algumas bebidas alcoólicas, como Gim ou Rum, são usadas em
mistura com refrigerantes.
Em um teste cego
realizado entre várias marcas, foi difícil distingui-las.
No balcão do bar, porém, as diferenças comandam as preferências.
Isso significa que, além de sabores, muitas vezes saboreamos
imagens.
Conseguir impacto social:
Toda campanha
pode ir além de seu objetivo e alcançar um determinado impacto
social. As campanhas não são feitas para que as pessoas falem
delas mas, se tangencialmente se consegue isso, facilita-se
o trabalho da empresa em toda a área comercial, como o relacionamento
com os bancos, os fornecedores e a administração.
Criar um ativo de comunicação:
As melhores
campanhas são as que se mantém ano após ano, acumulando um
ativo de comunicação que as torna cada vez mais efetivas,
mantidos os mesmo objetivos. As boas campanhas não se queimam.
O que se queima são algumas peças individuais, como um spot,
uma ilustração ou uma página de jornal. Há muitos anos uma
empresa de cosméticos repete: "nove entre dez estrelas
de cinema usam Lux". Contudo, cada ano, surge uma nova
estrela, a campanha parece renovada. Quantos anos faz que
vaqueiros e cavalos constituem o reclame da campanha dos cigarros
Marlboro?
Esses são exemplos
de ativo de comunicação. A forma de consegui-los é manter
a campanha durante anos, corrigindo quando muito o ângulo
de perspectiva e atualizando, quando necessário, as peças
da mesma. Às vezes não é fácil, porque há pressões para mudar,
vindas de uma vindas de um novo diretor de marketing ou uma
nova equipe de propaganda. Certos gerentes julgam que uma
agência só justifica seus honorários se concebe uma criação
diferente a cada ano. Essa postura, entretanto, é cada vez
menos frequente, porque cresce a consciência de que não se
pode jogar fora o que se gastou durante anos, em esforço de
propaganda e em investimento.
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