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Novo
texto do Professor Clóvis Reis, doutorando da Universidade
de Navarra, na Espanha. Confira!
Os desafios de uma gestão comercial mais inovadora
A
crescente participação das agências de
publicidade na soma dos investimentos realizados em mídia
acentua a importância dos publicitários na destinação
das verbas, ao mesmo tempo em que indica uma alternativa para
que o rádio incremente a captação de
recursos no mercado. Neste sentido, é necessário
que o meio desenvolva soluções para os problemas
apontados pelas agências, como a falta de informação
sobre o perfil das audiências, a inadequação
dos formatos de comercialização e a limitação
no raio de cobertura das emissoras.
Entre
os anos de 1995 e 2000, as agências de publicidade aumentaram
de 79,9% para 84,7% a participação no volume
de recursos aplicados em mídia, de acordo com o Projeto
Inter-Meios (veja gráfico). Entretanto, no rádio,
este índice continua abaixo dos 70%. Com isso, a quota
de venda direta de anúncios no rádio permanece
acima da média registrada pela maioria dos meios.
Quadro
1 - Participação das agências nos
investimentos publicitários em mídia

As
agências apontam vários motivos para a distância
em relação ao rádio. Uma das críticas
indica que, em comparação com outros meios,
o investimento não resulta demasiado atraente, porque
a comissão calculada a partir dos custos de produção
e de veiculação é relativamente baixa.
Além disso, os publicitários se queixam que:
1) a atenção ao cliente nas emissoras é
insatisfatória e falta informação quantitativa
e qualitativa sobre a audiência; 2) os formatos de comercialização
e de veiculação são inadequados e não
existe compromisso com as necessidades do anunciante; e 3)
a atuação das emissoras é restrita ao
âmbito local, o que dificulta a realização
de uma campanha de cobertura estadual ou nacional;
Quanto
à primeira reclamação, impõe-se
que as emissoras efetivamente profissionalizem as suas atividades,
explorem novas tecnologias, invistam numa programação
tematicamente especializada, estejam atentas ao comportamento
dos ouvintes e realizem pesquisas sobre o perfil da audiência.
Com
respeito às formas de negociação e de
emissão dos anúncios, o êxito poderá
alcançar-se com uma gestão comercial mais inovadora,
com a adoção de medidas como: a) estabelecimento
de relações com centrais de mídia; b)
realização de pesquisas sobre as necessidades
de comunicação do anunciante; c) determinação
de novas tarifas publicitárias; d) negociação
de coberturas de risco, com a oferta de tempo gratuito de
veiculação, caso não se alcancem as metas
fixadas em contrato; e) proteção dos produtos
anunciados, de modo que os concorrentes não apareçam
no mesmo intervalo comercial; f) combinação
de vários suportes publicitários da empresa
(em caso de grupos de comunicação); g) redefinição
da duração dos anúncios; h) emprego de
fórmulas alternativas ao spot, como o bartering, o
product placement, o patrocínio e as promoções.
Já
a cobertura num raio de atuação mais amplo é
possível de diversas maneiras, como a associação
entre emissoras, a formação de redes de transmissão,
a incorporação a grupos ou plataformas multimidiáticas
e o recurso aos provedores de programas de emissão
em âmbito nacional.
De
fato, não se tratam de soluções fáceis.
No entanto, os problemas e a força das agências
no mercado assinalam a necessidade de uma mudança de
postura, a fim de que o rádio acompanhe as tendências
do mercado e assegure a participação no bolo
publicitário.
Clóvis
Reis clovisreisjr@yahoo.es
Jornalista
Professor de Produção em Rádio da Universidade
Regional de Blumenau
Aluno do Doutorado em Comunicação Pública
da Universidade de Navarra. (Espanha)
De 1986 a 2000 trabalhou no Jornal de Santa Catarina
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