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Metafísica
do Cotidiano
O
papel social do cocô
Companheiro
leitor, uma pergunta para sua reflexão: onde você
passa a MAIOR parte do seu dia? Os eróticos ou os preguiçosos
irão responder: na cama. Os work-a-holics irão
dizer: no emprego. Os CDF's irão pensar: estudando.
Enfim, cada uma das respostas é válida e não
é possível chegar a uma conclusão unânime.
Agora pense nisso: onde você passa a MELHOR parte do
seu dia? Respostas como escritório, sala de aula, sala
de TV e quarto de dormir certamente aparecerão. Mas
na realidade a melhor parte do nosso dia, aquela hora sagrada
onde todos são iguais nós passamos no banheiro.
Por mais que se
queira dizer que não, quando estamos com as calças
arriadas (ou com as saias levantadas) todos somos rigorosamente
iguais. Não há distinção de raça,
cor, classe social, time de futebol, partido político,
etc. No trono, todos são iguais. Não sempre
o mais rico "faz" o mais cheiroso, nem sempre o
mais pobre "faz" o mais perfeito. Independente da
anatomia, da cor ou do odor que dele emana, nós só
reconhecemos efetivamente o quão somos parecidos quando
estamos no WC.
Há inclusive
uma corrente, da qual eu sou adepto, que está disposta
a provar que o ato de dar um barrinho é melhor até
do que transar. Um dos argumentos mais fortes dessa linha
de pensamento é que, quando você está
fazendo sexo você pode dar uma paradinha para fazer
cocô. Ao passo que quando você está fazendo
cocô, não há o menor jeito de você
parar no meio para fazer sexo. Temos que concordar que é
um argumento válido.
Eu acredito piamente
que o banheiro é o mais importante cômodo da
residência do cidadão. De todo o projeto da casa
onde eu pretendo viver a minha vida, o banheiro é a
única parte que eu já tenho definida: Uns 20
metros quadrados, piso de azulejos na cor marfim importados
do Nepal, louça árabe, uma banheira estupidamente
grande pois tomar banho de pé é coisa de pobre
(mas isso é outro assunto). Num dos cantos haverá
uma TV com ligação à cabo e a latrina,
ai meu Senhor, vai ser A latrina. Assento de couro de antílope
feito sob medida, para que minhas nádegas tenham um
encaixe perfeito. A descarga tocará o hino do meu time
do coração, e um dispositivo expelirá
um leve aroma de flores do campo...
Outra tese interessante
que alguns defendem é que no banheiro, quando estamos
realmente sós, é que utilizamos efetivamente
toda a nossa capacidade criativa. Meu grande amigo Josias
explana esse tema na sua coluna "Existe
fórmula para criar?"
com mais propriedade. Sobre isso ainda vale a pena ressaltar
que nem sempre fazer o pipizão em casa é o bicho.
Muitos amigos meus já falaram que o grande lance do
momento é fazê-lo no emprego. Segundo eles, se
você dá um barro na faculdade ou na escola, teoricamente
você está pagando pra fazer isso. Se você
defeca em casa, você o está fazendo quase que
de graça, tendo apenas o ônus do papel higiênico
ou da água do lavabo. Agora, quando você faz
cocô no local de trabalho você está sendo
pago pra fazer isso. Não é maravilhoso? Você
ali, no seu momento mais íntimo e prazeroso, e ainda
sendo pago pra isso. Se você for trabalhar no domingo
por exemplo, estará fazendo pipi com 100% de hora extra.
É só conferir na CLT.
O que mais se há
pra dizer? Não importa que seja no trabalho, estudando
ou em casa. Não importa que seja lendo, dormindo ou
tendo um sonho erótico com a vizinha. Pouco faz diferença
se cheirar mal, se você ficar lá por meia hora,
se sair todo suado ou com marcas vermelhas nos joelhos, de
tanto apoiar os cotovelos. O que importa efetivamente é
que, não é porque ele está saindo de
você que não seja importante. Fazer cocô
é sim uma das melhores coisas da vida, e deve ser respeitada
como tal. E é em nome desse respeito e da importância
que damos para a sua satisfação, assim como
damos importância para o cocô, que estamos lançando
em primeira mão a "coluna com final interativo".
Assim como no extinto programa do "plim-plim", aqui
você escolhe o final.
Final
1
Final
2
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