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Deu
na Telha
Existe
fórmula para criar?
Estou
chegando no último ano do meu curso universitário.
Nossa, como o tempo voa. Parece até que foi ontem que
estava sentado em uma roda de calouros, participando do tradicional
"trote" do curso de Publicidade e Propaganda da
nossa Universidade.
No decorrer do curso
me foram apresentadas diversas técnicas de criação.
Detalhes que, segundo os professores, farão a diferença
no feroz mercado de trabalho. Mas, minha pequena experiência
e intuição, me permitem fazer algumas críticas
a alguns métodos apresentados pela Universidade.
1
- Trabalhar em Equipe
Muito
se diz sobre o trabalho em equipe. Ora, deve-se saber trabalhar
em equipe para poder atuar no mercado. Afinal, é no
brainstorm que chagamos à resolução da
maioria dos problemas.
Sabe, tenho trabalhado
em grupo desde o início desse curso. Todos já
devem ter passado por esta experiência. O grupo se reúne,
discute um pouco e desaparece. Você nunca mais ouve
falar sobre o trabalho a ser realizado até a última
semana, quando não um dia antes do prazo de entrega.
Mesmo quando o grupo realmente trabalha, fazendo um verdadeiro
brainstorm, nada se define em grupo. Cada um tem uma opinião,
uma maneira de pensar as coisas. No fim, após muita
discussão, cada um vai para o seu canto e busca soluções
para o problema. Individualmente, não em grupo. Alguns
professores exigem que os trabalhos sejam feitos em equipe,
dentro da sala de aula. Essa é uma experiência
ainda mais frustrante. Discute-se durante toda a aula e produz-se
quase nada.
Até que ponto
então o trabalho em equipe é realmente válido?
Acredito que o máximo aceitável para a criação
é a chamada "dupla de criação".
Mais do que isso é exagero e pura incomodação.
Não digo que um brainstorm seja inútil, muito
pelo contrário, ele deve acontecer pois todos precisamos
ter acesso ao maior número de dados possível
do produto a ser trabalhado. Mas a criação,
a resolução do problema, sempre partirá
do "indivíduo" e não da equipe. A
equipe pode ajudar a solucionar, a encontrar caminhos e apresentar
os meios para se chegar à grande "sacada".
Mas esta, a "sacada", esta é obra do indivíduo
e é a ele que devemos o sucesso do trabalho.
2
- Regras prontas
A
solução criativa é espontânea.
A grande "sacada" muitas vezes vem tão despreocupada
quanto um pum atravessado que incomoda tanto e, de repente,
após uma boa dose de massagem, se desprende e soa como
uma sinfonia ao ar livre. O criativo, pensa em inúmeras
possibilidades de criação para o produto, analisa
os prós e contras e encontra, muitas vezes nas coisas
mais simples, a grande idéia.
O processo de criação
não é linear. Dificilmente você pega uma
linha de pensamento e a segue até encontrar a solução
do problema. O normal é justamente o oposto, criar
dando pulos de uma linha de pensamento a outra sem a menor
preocupação. Facilmente vamos de um extremo
a outro em questão de segundos.
Acredito ser difícil
encontrar um criativo, que durante o processo de criação
pare para pensar se está, por exemplo, atendendo às
exigências da famosa sigla AIDA. Chamar a ATENÇÃO,
despertar o INTERESSE, transformá-lo em DESEJO levando
o cliente à AÇÃO da compra do produto.
Após a solução encontrada, o criativo
pode e deve se perguntar se está atendendo estas exigências.
Mas durante o processo de criação, duvido que
alguém pare a cada nova idéia para pensar a
respeito.
3
- Inspiração x Transpiração
A
criação se deve a 1% de inspiração
e 99% de transpiração. Esta sim é uma
verdade. Soluções criativas exigem muita dedicação.
A inspiração vem da transpiração.
Depois de muito pensar, de muito pesquisar, você pode
inspirar-se e chegar à solução de um
problema. É raro chegar à grande "sacada"
na primeira idéia vinda à cabeça, até
porque o criativo nunca está satisfeito com o que produz.
Ele sempre sente-se desafiado a encontrar uma solução
melhor para o produto em questão.
Eu já ouvi
muita gente falar que seu melhor momento de criação
é no banheiro. Por que será? Será o cheiro
afrodisíaco? Não. Em nosso dia-a-dia agitado,
é lá, sentado, tranqüilo e despreocupado,
que muitos encontram seu momento de reflexão ideal.
Se você está em seu ambiente de trabalho e não
tem tido chances de se concentrar em seu objetivo, busque
um lugar tranqüilo, longe de tudo e de todos, nem que
seja o próprio banheiro da empresa e perca alguns minutos
organizando suas idéias. Deixe a preguiça mental
de lado e transpire um pouco, perca tempo buscando as melhores
soluções para seu cliente.
Lembre-se que só
depois de muita transpiração é que a
inspiração lhe trará a "grande
sacada".
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