
Case
Delícia
A
Guerra das Margarinas
A missão era do tipo “impossível”: bater um concorrente
forte, bem estruturado, que há anos consecutivos ocupava
o 1º lugar nas dispensas e na mente dos consumidores.
Para piorar ainda mais as coisas, o concorrente guardava
sua posição com competência, desenvolvendo um esforço de
marketing e comunicação permanente e atento. Produto bom,
imagem de marca lá em cima, o preço competitivo, distribuição
correta... ou seja, nenhum flanco debilitado. Esse era o
panorama nos momentos críticos que antecederam o deflagrar
do episódio que entrou para a história do marketing promocional
como a Guerra das Margarinas. Protagonistas: margarinas
Delícia, no papel de atacante, e Doriana, no de defensora
de seu território.
Desde o início
sabia-se que o ataque, por um lado, não poderia ser feito
com um arsenal convencional, pois Doriana estava protegida
contra todo tipo de armas conhecidas e, por outro, a ação
teria que seguir o modelo blitzkrieg
utilizado pelo exército alemão na Segunda Guerra: atacar
rápido, pesado e de surpresa, tirando o poder de reação
do adversário e consolidando a posição em curtíssimo prazo.
Optou-se, então, pela “arma” promoção de vendas, que atendia
às exigências de imediatismo e fator-surpresa. Mas
havia um detalhe capital: nossa blitzkrieg não contava com o poder de fogo das panzerdivision.
Em ouras palavras, faltava encontrar uma premiação que
tivesse apelo suficiente para tentar o consumidor a trair
uma fidelidade que constituía o poder do concorrente. A
saída: buscar uma premiação criativa, que fosse o desejo
mais profundo de cada um, mesmo que isso não se manifestasse
em nível do consciente.
Foi com essa preocupação
que a equipe da MPM, a agência da Delícia , junto com a
PPA, seu braço promocional, desenvolveu a campanha “Oh Que
Delícia de Vida!”, que tinha por approach
dar ao consumidor a oportunidade de concorrer a uma
pensão vitalícia de U$ 300,00, em sorteios semanais durante
3 meses.
O prêmio, absolutamente
original e altamente desejável, tinha, não poderia ser diferente,
um complicador: a legislação brasileira sobre promoções
de venda proíbe prêmios em dinheiro. A solução achada foi
outra “sacada”: contemplar os ganhadores com planos de previdência
privada previamente quitados que, na prática, resultam em
uma pensão mensal.
Naturalmente essa
decisão implicou um sem-número de detalhes, como estabelecer
um valor considerado a expectativa de vida dos brasileiros,
projeção de faixa etária média dos participantes e assim
por diante.
Na mosca! O resultado
foi avassalador: 32 milhões de cartas, cada uma com comprovante
de compra relativos a 500 gramas de Delícia, chegaram à
central de operações criando um novo problema – como armazenar
essa montanha de papel? A resposta veio na forma de um grande
cinema providencialmente desativado que serviu de depósito
e estúdio de gravação dos sorteios,
Delícia saltou para
o primeiro lugar, abrindo uma considerável vantagem, obrigando
uma reação de Doriana que retaliou lançando uma promoção
em que dava casas (outro grande objeto de desejo, sem dúvida!)
com carro na garagem. Delícia, já acostumada com o sabor
da vitória, não deixou por menos e deu o troco: casa, carro
e pensão, num repique que constituiu a Segunda fase da campanha
“Oh Que Delícia de Vida!”. Com isso, neutralizou-se o apelo
da campanha de Doriana e estendeu-se para um total de 8
meses a hegemonia de Delícia no mercado de margarinas.
Depois desse episódio
o mercado de margarinas não foi mais o mesmo... nem o de
promoções.
“Oh! Que Delícia de
Vida!” teve sua comunicação elaborada pela MPM, sob a direção
de Criação de Gilberto dos Reis, e sua logística de guerra
planejada e operacionalizada pela PPA, então comandada por
Júlio Anguita, com criação de comunicação no ponto-de-venda
feita por Mário Eugênio Nascimento e Francisco Martinazzo.
Fonte:
Marketing promocional
Autores: Antonio Roque Costa e Edison de Gomes Talarico
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